O evento virou notícia. E as marcas também. Hoje, as fronteiras entre entretenimento, publicidade, influência e jornalismo estão cada vez mais misturadas. Nesse cenário, é necessário entender o que realmente é notícia, o que é conteúdo de marca e quais são as possibilidades de atuação do jornalista dentro desse universo.
Foi a partir dessa perspectiva que acadêmicos de Jornalismo analisaram a cobertura e as ativações de marcas no Rock in Rio 2026. A proposta foi observar como um grande evento de entretenimento se transforma em um ambiente de comunicação que reúne imprensa, publicidade, produção de conteúdo, influenciadores, mídias digitais e público.
A pauta por trás da ativação
“O Rock in Rio é um grande laboratório para observar como a comunicação acontece hoje. No mesmo ambiente estão marcas criando experiências, jornalistas produzindo notícias, influenciadores produzindo conteúdo, veículos fazendo cobertura e o público compartilhando tudo em tempo real. Para o acadêmico de Jornalismo, observar esse ecossistema é também compreender como a profissão está se transformando”, explica Gleyce Krieser, professora do curso de Jornalismo da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), na disciplina de Produção de Conteúdo para Mídias Digitais.
A atividade levou os estudantes a olhar para além da ativação propriamente dita. Uma experiência de marca pode gerar imagens, entrevistas, vídeos, posts, matérias jornalísticas, conteúdos de influenciadores e conversas nas redes sociais, ampliando sua presença muito além do espaço físico do festival.
“O foco do trabalho foi construir uma reportagem completa sobre uma das ativações de marca no Rock in Rio, indo além da simples cobertura do evento. A gente buscou entender como funciona a apuração no jornalismo de negócios e de redes sociais, saindo do básico dos releases para investigar dados, estratégias de marca e o impacto real dessas ações. Foi uma experiência prática de apuração e mostrou como uma ação de marca pode se transformar em pauta jornalística”, relata o acadêmico Cristian Moraes, produtor de conteúdo na Rádio Clube de Lages.
A questão, portanto, não foi apenas o que a marca fez, mas o que existe de pauta jornalística por trás do que ela fez.
Quem criou a ação? Qual é a estratégia? Por que aquela experiência chamou atenção? Houve repercussão espontânea? Como a imprensa abordou a ativação? Que conteúdos foram produzidos a partir dela? E qual é o papel do jornalista nesse processo?
Uma sala de aula a céu aberto
“Para nós, professores, é importante que o acadêmico saia da sala de aula e aprenda a identificar pautas e fenômenos de comunicação no mundo real. O jornalista precisa saber observar, pesquisar, fazer perguntas e entender por que determinado acontecimento ganha relevância”, detalha Gleyce.
Ao analisar um evento que reúne entretenimento, marcas, imprensa, produção de conteúdo e público em um mesmo ambiente, os acadêmicos tiveram contato com uma realidade cada vez mais presente no mercado: a comunicação acontece em diferentes espaços, plataformas e linguagens que se conectam e se retroalimentam.
A atividade aproximou, assim, a formação acadêmica das práticas contemporâneas do mercado e mostrou que um festival de música pode ser também um campo de observação jornalística, permitindo compreender como as marcas constroem experiências, como essas experiências ganham repercussão e onde estão as pautas que podem interessar ao jornalismo.
Texto Gleyce Krieser – Professora e Jornalista / Publicado dia 28/09/2026.