Palestra com a professora e pesquisadora da USP, Dra. Caroline Fanizzi, marca o início das atividades dos programas de pós-graduação
Os desafios enfrentados por profissionais da educação e as diferentes formas de sofrimento relacionadas à atuação docente foram tema da aula inaugural dos
Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Uniplac. O encontro aconteceu nesta terça-feira (18), no Auditório I da Universidade, com a palestra "O sofrimento docente: apenas aqueles que agem podem também sofrer", ministrada pela professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Dra. Caroline Fanizzi.
A discussão buscou ampliar o olhar sobre o sofrimento docente, considerando não apenas aspectos individuais, mas também as relações, condições e desafios presentes no cotidiano educacional. Durante o encontro, Caroline Fanizzi abordou a relação entre o ato de ensinar, as experiências profissionais e as diferentes formas pelas quais o sofrimento pode se manifestar no exercício da docência. A proposta também dialoga com questões contemporâneas relacionadas ao trabalho e à educação, aproximando a produção acadêmica da realidade vivenciada pelos profissionais da área.
A reflexão proposta durante a aula também passa pela necessidade de compreender o sofrimento docente para além de uma dimensão individual. Para Caroline Fanizzi, mais do que buscar respostas prontas para os desafios vivenciados pelos professores, é necessário considerar as condições sociais e institucionais que atravessam o exercício da profissão. “Mais do que pensar em respostas ou soluções definitivas, me parece que, quando a gente aborda a temática do sofrimento a partir dessa perspectiva sociopolítica, a gente encaminha também essas questões de uma outra forma”, explicou a pesquisadora.
Ao comentar a importância da aula inaugural para os programas de pós-graduação, a mediadora do encontro, professora Dra. Naiara Tibola, destacou que a temática abordada contribui para ampliar o debate sobre a realidade vivenciada pelos profissionais da educação em diferentes níveis de ensino. Segundo ela, as discussões relacionadas à saúde e ao sofrimento docente não se restringem às experiências de professores da educação básica, mas também estão presentes no cotidiano das universidades e dos programas de pós-graduação, envolvendo pesquisadores, docentes e demais profissionais que atuam nesses espaços. “Isso perpassa, além da educação básica, também o ensino superior e a pós-graduação, onde estamos inseridos”, afirmou.
Para Naiara, momentos como a aula inaugural possibilitam que essas experiências sejam colocadas em discussão dentro do ambiente acadêmico, estimulando reflexões sobre as condições de trabalho, as relações estabelecidas no processo educativo e os desafios que acompanham o exercício da docência.
Promover espaços de diálogo sobre o trabalho docente também permite aproximar a produção acadêmica das experiências vivenciadas por profissionais da educação. Ao abordar o sofrimento não apenas como uma questão individual, mas como parte de um contexto mais amplo, a aula inaugural reforçou a importância da reflexão coletiva sobre os desafios da docência e o papel da universidade na construção de conhecimento e de novas perspectivas para a educação.
Texto: Douglas Moraes - Fotos: Victor Werner - Comunicação Uniplac - Publicado dia 19/08/2026.